Assembleia e Congresso estão mesmo renovados?


No Brasil nunca se falou tanto em mudanças e em renovação como nos últimos tempos. Esperançosos, alguns comemoraram após as eleições de outubro uma suposta “renovação” do Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (ALES). Mas será que a simples troca de nomes representa mudança significativa nas práticas políticas em vigor?

Analisando as negociações para as eleições do presidente do Senado e, principalmente, da Câmara Federal e da ALES, me vem à mente o dito popular: “tudo como dantes no quartel de Abrantes”.

Na Câmara Federal, o atual presidente Rodrigo Maia é o nome que desponta como o favorito da maioria dos partidos, inclusive vem agradando ao próprio presidente da República. Pergunta: Rodrigo Maia representa qual mudança?

Afinado com o corporativismo e o patrimonialismo do Congresso e o toma lá, dá cá da maioria dos partidos, Maia provavelmente já negociou nos subterrâneos todos os cargos e favores que a presidência pode oferecer às siglas partidárias e seus filiados e ao chefe do Executivo.

Ou seremos inocentes em crer que o apoio que recebe estaria relacionado com um mandato coadunado com os anseios da população (combate rigoroso à corrupção, corte de gastos e de privilégios do Congresso e afins)?

Enquanto isso no Legislativo capixaba, segundo a imprensa, nada menos que 28 dos 30 deputados apoiam a reeleição do atual presidente, que contaria ainda com a simpatia do Governo.

Mas qual a mudança que Erick Musso representa? Nos dois anos à frente da ALES, agiu de forma subserviente aos interesses do Palácio Anchieta, mantendo o Poder Legislativo como o cartório mais caro do Estado, sempre sujeito a carimbar um “sim” aos interesses dos demais poderes.

Na gestão do atual presidente prevaleceu o corporativismo, tanto pela distribuição de cargos comissionados entre aliados e apoiadores, quanto pela criação de mais cargos (o 19º assessor de gabinete) e pela manutenção de gastos desnecessários, como o “postinho médico” da ALES. E como esquecer a aprovação do aumento salarial em quase 20% para o governador, vice, secretários e mais uma pequena casta dos funcionários públicos?

Por outro lado, propostas apresentadas por deputados para a redução de cargos comissionados e despesas e para acabar com as faltas justificadas e promover o corte de ponto dos deputados que não estão presentes no momento das votações foram rechaçadas.

Ariano Suassuna dizia que era um otimista realista. Eu também sou, mas está difícil acreditar em mudanças.

Artigo publicado no jornal A Gazeta, no dia 31 de Janeiro de 2019

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© Sergio Majeski 

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